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segunda-feira, 22 de agosto de 2011

"Chinese Democracy": Talaricagem, galinheiros e megalomania


Máteria de Wipash.net


A revista inglesa CLASSIC ROCK, que nutre um fascínio inexplicável pelo Guns N’ Roses, a ponto de ter eleito ‘Chinese Democracy’ o disco do ano de 2006 baseados apenas nas demos que tinham então vazado
na internet, foi a fundo no diário de estúdio do primeiro trabalho ‘solo’ de W. AXL ROSE, e em Fevereiro de 2008, publicou uma extensa matéria sobre tudo que teria ocorrido ao longo de quase uma década de promessas, sinais e frustrações.

O disco, lançado finalmente no final de 2008, ainda divide opiniões e levanta questões como: o quanto das sessões realizadas a partir de 1997 já foi ouvido pelo público? Por que Axl recusa-se a promover o disco convencionalmente, lançando vídeo-clipes «que muitos afirmam já terem sido finalizados e comporem uma trilogia»? Porque Axl não excursiona pelo maior mercado fonográfico do mundo, os EUA? Veremos mais desdobramentos das sessões que deram origem ao disco?



A impressão que fica no imaginário popular é que ‘Chinese Democracy’, apesar de lançado, ainda não foi devidamente ouvido. O texto abaixo, dividido em duas partes, é uma tradução do original inglês escrito por Scott Rowley, e apesar de não ser uma iniciativa pioneira na internet, foi revisto de acordo com as novas regras estabelecidas pela reforma ortográfica de 2010 e ilustrado com mais fotos para melhor entendimento do público em geral.


SUSSUROS CHINESES
Por Scott Rowley
Traduzido por Nacho Belgrande


Chinese Democracy, do Guns N’ Roses é o álbum mais caro e ansiosamente esperado de todos os tempos. Em idos de 2001, o homem que conseguiu um contrato da banda com uma gravadora, Tom Zutaut, voltou à cena para ajudá-los a terminar o disco – e entrou num mundo dominado por sensitivos, homens-galinha e ‘cocô de lobo’…

Em 12 de Outubro de 2001, um mês após os ataques de 11 de Setembro nos EUA, e cinco dias depois que as primeiras bombas das tropas aliadas da força de coalizão caíram no Afeganistão, um grupo de músicos sentou em frente de uma TV em um estúdio de gravação de Los Angeles e assistiu ao noticiário.

“Milhares de protestantes foram às ruas do Paquistão, Indonésia e Irã hoje,” dizia o jornalista, “enquanto o mundo Islâmico continua a protestar contra o bombardeio do Afeganistão liderado pelos EUA.”


A tela mostrava a tropa de choque da polícia usando gás lacrimogêneo, fumaça preta saindo de carros em chamas, protestantes jogando bombas caseiras, “Milhares de militantes islâmicos entraram em combate com a polícia na cidade paquistanesa de Karachi, ateando fogo em carros, ônibus, e numa loja da «franquia norte-americana de restaurantes especializados em frango frito» Kentucky Fried Chicken. Vamos falar com nosso correspondente internacional…”
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Mas a essa altura, um dos membros do grupo já estava de pé. Buckethead não ia mais engolir aquilo. “Chega dessa PORRA!”, ele gritava, à medida que a tela mostrava imagens do KFC de Karachi com chamas lambendo o ar pelas janelas do prédio. “Eles foram longe demais agora! Eu vou entrar pra porra do exército!” Eles não vão zoar o KFC, mas de jeito nenhum! Chega – eu não consigo mais gravar. Eu vou entrar pro exército – agora nós realmente estamos em guerra!”


E com isso, ele pegou seu chapéu de balde do KFC, catou algumas coisas de seu galinheiro especialmente construído dentro do estúdio, e saiu. Alguns dos caras ficaram mais tempo, mas não muito foi feito naquele dia.
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Não era nada de mais, na verdade. Afinal, o que é um dia quando o disco no qual você está trabalhando já está sendo gravado a sete anos, dois anos a mais do que a gravadora estipulou, e milhões de dólares além do orçamento?

O Guns N’ Roses tinha entrado em 2001 em grande estilo. Uma nova formação da banda – que contava com os guitarristas Robin Finck, Buckethead e Paul Tobias, ao lado do tecladista de longa data Dizzy Reed, o antigo baixista do The Replacements, Tommy Stintson e o baterista Brian ‘Brain’ Mantia – fez seu primeiro show na véspera de ano novo na House of Blues em Las Vegas. Duas semanas depois, eles tocaram na frente de 200,000 pessoas no Rock In Rio III no Brasil.



Se encarregando das atribulações com a imprensa naquela época, Axl disse a uma rádio chilena que “Esperançosamente, lançaremos um single por volta da próxima primavera e o disco vai estar pronto em Junho ou pouco depois”. Pela primeira vez desde 1994, quando o trabalho em cima do sucessor dos “Use Your Illusion” começou – quando a banda tinha Slash, Duff McKagan e Matt Sorum – parecia que finalmente, depois de todas as mudanças de pessoal, todas as contratações e demissões e desavenças com a gravadora, a banda estava chegando a algum lugar. Havia tido, afinal de contas, muita água por debaixo da ponte. Slash tinha saído em 1996; Duff e Sorum em 1997. O substituto de Slash, Robin Finck juntou-se ao grupo, e então voltou à sua antiga banda, o Nine Inch Nails por duas turnês em 1999, antes de voltar ao GN’R no fim de 2000. O substituto de Sorum, o baterista Josh Freese, tinha saído por volta de 2000. Um segundo tecladista, Chris Pittman, entrou em 1998. Uma contínua sucessão de produtores – Moby, Mike Clink, Youth «U2, The Verve» e Sean Beavan «Marilyn Manson, Nine Inch Nails» – veio e foi, todos aparentemente inaptos a entregar um produto finalizado.


Mas em Janeiro de 2001 – animado com a recepção que nova armada de três guitarristas tinha recebido no Brasil e em Las Vegas, e num estúdio de Los Angeles com o lendário produtor do Queen, Roy Thomas Baker – Axl tinha certeza. No dia 22 de Janeiro, ele explicou o atraso do disco a uma estação de rádio Argentina: “Nós não tínhamos composto ou gravado por muitos anos,” ele disse. “Houve mudanças na banda e houve muitas mudanças na gravadora. As pessoas na gravadora tinham muitas opiniões e elas queriam fazer o melhor disco possível. Toda vez que pensávamos que tínhamos as canções certas, alguém achava que nós poderíamos fazer coisa melhor. A gente começava do zero. A gente continuou a acrescentar músicas, continuando a gravar e gravar. Eu acho que quando realmente lançarmos o disco, será algo do qual eu estarei orgulhoso e confiante.”
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No dia 12 de Março, a assistente de Axl, Elizabeth “Beta” Lebeis disse a um jornal brasileiro que o disco “será fabuloso. Será lançado em Junho ou Julho. Eles já têm 48 faixas e a gravadora está selecionando o material.”

Em Julho, o disco ainda não havia sido lançado. Fernando, filho de Beta e amigo-assistente de Axl, de uma entrevista, comentando as razões por detrás do atraso do álbum: “é que toda vez que ele tenta fazer algo, alguma coisa sai errada”, ele disse. “De repente, o cara que é responsável por algum detalhe técnico comete um erro. Eu posso dizer isso porque estive no estúdio com ele e é inacreditável; é como se algo tentasse demovê-lo de seu projeto.”

Você conhece o resto da história: 2001 veio e foi embora, e, à exceção de uma meia dúzia de canções vazadas – o disco ainda não viu a luz do dia. Ainda assim, sete anos atrás, no fim de 2001 – depois de um ano que assistiu a peculiares eventos externos e intrigantes eventos dentro de seu próprio círculo – o Guns N’ Roses tinha uma versão de Chinese Democracy que estava quase pronta pra ser lançada. Essa é a história daquele ano.


DE VOLTA À SELVA
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É
Fevereiro de 2001 e, em algum lugar na cidade de Nova Iorque, o telefone de Tom Zutaut está tocando. Do outro lado da linha está Jimmy Lovine, fundador da «gravadora» Interscope e chefe da «gravadoras» Geffen e da A & M Records e ele está perguntando a Tom – um homem que a Geffen tinha demitido dois anos antes – a mais improvável das perguntas: se ele voltará a trabalhar. Pro Guns N’ Roses.




“Olha”, disse Lovine, “desde que você saiu da Geffen, ninguém conseguiu arrancar um disco do Guns N’ Roses. Você não só tirava discos deles, mas você conseguia discos extras que não eram nem parte do contrato. Ninguém consegue arrancar uma porra dum disco deles a não ser você! Você faria isso?”

Em seus tempos de olheiro, o cara que descobriu o Guns N’ Roses, Zutaut «pronuncia-se “Zú-tót”; ele é chamado ocasionalmente de “Zoot”» tinha realmente direcionado a banda ao longo de todos seus lançamentos até então: o marcador de época Appetite For Destruction, os amplamente influentes Use Your Illusion, e lançamentos tapa-buracos como: Live ?!* Like a Suicide, GN’R Lies e The Spaghetti Incident?. Mas à medida que a banda se desintegrou, a relação azedou, e ele tinha ido trabalhar pra Polygram, e tinha passado os últimos dois anos fazendo jardinagem depois de um arranca-rabo com o chefe do selo «fonográfico». Ele tinha mudado pra Nova Iorque, usado o tempo para conhecer sua filha, e até mesmo se voluntariado a trabalhar na Associação de Pais e Mestres na escola dela.As coisas mudaram, Zutaut diz a Lovine. “Eu faria qualquer coisa pra ajudar Axl,” ele diz, “mas não tenho certeza nem de que ele falará comigo. E, além disso, minha família está em Nova Iorque e tomar conta do GN’R é trabalho em tempo integral. Quando você está trabalhando com Axl, não há horário marcado. É começar às 6 da manhã, ou às 3 da manhã, ou às 2 da manhã. Vai provavelmente acabar com meu casamento. Eu não sei.”


No dia seguinte, o empresário do Guns N’ Roses, Doug Goldstein liga. “Eu ouvi dizer que você conversou com o Jimmy,” ele diz. “Nós não sabemos mais o que fazer. A gente parece não conseguir terminar o disco e a coisa é boa – você estaria disposto a voltar?”No dia seguinte a esse, ele entra numa teleconferência com Lovine e Goldstein. “Que tal se você só vier até aqui e se encontrar com o Axl?” eles perguntam.


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“OK – apenas um encontro,” concorda Zoot. E foi assim que Tom Zutaut se viu sugado de volta ao mundo do G N’R, sentando num estúdio de Los Angeles dois dias depois para um encontro com Axl Rose.
“E a primeira coisa que ele me perguntou”, lembra-se Tom, “Ele estava sentado num sofá no estúdio e eu estava sentado numa cadeira e ele olhou pra mim e disse; ‘Antes de eu e você podermos fazer qualquer coisa, eu tenho que saber a verdade sobre Erin Everly.”


A Verdade Sobre Erin Everly

ImagemA filha de Don Everly, do «duo musical dos anos sessenta» ‘The Everly Brothers’, Erin conheceu Axl Rose em 1986. Logo depois, Axl escreveria sua letra costumeiramente tenra e sentimental para ‘Sweet Child of Mine’ sobre ela (‘She´s got eyes of the bluest skies/As if they thought of rain/I hate to look into those eyes/And see an ounce of pain’ «Ela tem olhos como os céus mais azuis/Como se pensassem em chuva/Eu odeio olhar naqueles olhos e ver uma gota de dor»). Havia muita dor no relacionamento. Tanto Axl como Erin tinham históricos familiares disfuncionais, e as tensões entre eles se derramavam em discussões em público e brigas violentas. Eles se casaram em 1990 – Everly depois disse que só aceitou a proposta dele depois que Axl foi até a casa dela às 4 da manhã dizendo que tinha uma arma no carro e que se mataria se ela não se casasse com ele. A inevitável separação veio no ano seguinte, com Erin alegando que Axl abusava severamente dela «ela entrou com um processo contra ele em 1994, mas fez um acordo fora do tribunal».
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Na posição de relações públicas, confidente e faz-tudo do GN’R, Tom Zutaut era frequentemente arrastado pra dentro das disputas domésticas deles. “Eu recebia uma ligação do Axl dizendo basicamente que ‘Eu preciso da sua ajuda, você precisa vir até aqui agora mesmo!” Daí eu ia até lá e eles estavam gritando um com o outro e eu levava a Erin pra minha casa com minha mulher grávida e a gente tomava conta dela, baixava a bola dela, e algumas horas depois –ou talvez no dia seguinte- Axl ligava e dizia ‘Okay, eu tô «sic» bem agora, traz ela de volta. ’ E daí eu levava Erin de volta. Isso aconteceu mais vezes do que você possa imaginar.”
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Em 1994, um amigo anônimo de Axl Rose disse a revista «americana de fofocas» People Magazine que “Erin se faz de vítima e dele um agressor demoníaco. Pelo que eu testemunhei, ela era a agressora.” Zutaut com certeza sentiu que às vezes, Everly fazia raiva pra Axl deliberadamente, e em ocasiões, confrontou-a quanto a isso.



“Eu disse pra ela: ‘Muitos garotos não conseguem parar de repetir sobre com que tipo de coisas eles cresceram. Mas nós temos que tentar e aprender dos nossos pais e sermos melhores. Eu não vou sentar aqui e ver você culpar o Axl por tudo, porque a verdade é que se você quisesse deixar esse ciclo, você poderia. Mas isso exige que você ou largue dele ou pare de culpar ele. Quero dizer, vocês precisam fazer terapia ou algo do tipo.”


Como ela encarou tal conselho? “Ela ficou muito puta comigo,” diz Zutaut. “Então a resposta dela foi ir até o Axl e contar que eu tinha cantado ela.”



Hoje em dia, Everly tem, em Beta Lebeis, assistente pessoal de Axl, uma improvável aliada. Entrevistada para essa matéria, Beta afirma que ela acredita em Erin: “Ele realmente a cantou”, ela conta. Seja lá qual for a verdade, apesar de seu relacionamento antagônico e abusivo, Axl acreditava em Everly. “Isso semeou desconfiança pessoal entre Axl e eu,” diz Zutaut.

Não foi a única relação a se desintegrar. Durante esse mesmo período, Rose estava lentamente se afastando de todos os outros membros da banda.

“Durante o Appetite, o processo de composição e gravação foi meio que mais de colaboração que envolvia todo mundo, mas a partir dos Illusion pra frente, a banda fazia a parte deles e Axl vinha e colocava a cobertura no bolo,” diz Zutaut. “Ele trabalhava no horário próprio dele e ninguém tinha permissão pra estar no estúdio quando Axl estava lá.”

Mas quando chegou a hora de terminar os discos, Axl se deu conta de que não podia fazer tudo sozinho. “Durante a mixagem dos Use Your Illusion, eu recebi um telefonema de Axl,” diz Zutaut. “eu estava no Havaí num feriado e ele realmente se desculpou pra mim e disse, ‘Olha, apesar desse lance que aconteceu com a Erin –seja lá o que você fez ou não fez – não há ninguém em que eu confie mais com o som e a vibração do Guns N’ Roses mais do que você. A não ser eu, ninguém capta isso como você. Eu não consigo terminar esse disco sem sua ajuda – preciso de você aqui agora.”


Tocado, Zutaut mais uma vez tentou assegurar Axl de que ele não tinha chegado junto em sua ex-esposa. “E ele disse algo tipo, ‘Eu não sei se eu acredito em você. Ela é uma mulher bonita e eu acho que você provavelmente a cantou, sim. Mas não me importo. Não estou mais com ela e preciso de sua ajuda. ’”


Entendendo Axl

ImagemDez anos depois, em 2001, Axl, mais uma vez, precisava da ajuda de Zutaut para terminar um projeto. Mas não antes de Zoot tentar explicar, de novo, o que realmente tinha acontecido entre ele e a ex-esposa de Axl. “Depois que eu contei pra ele, ele disse ‘Posso realmente, verdadeiramente acreditar nisso – você jura por Deus? ’ E eu disse, ‘Axl, eu juro por Deus, ’ Eu disse, ‘Ela era uma mulher bonita, mas eu não tinha atração física por ela de modo algum. ’Eu disse, “a única razão pela qual eu a levei pra minha casa era porque você pediu minha ajuda. Eu não tinha interesse nela. Eu tinha medo que você machucasse ela e ela chamasse os gambés e daí ia foder as coisas pra banda e pra você. Mas eu a levei embora quando você me ligou porque você era meu amigo. Eu nunca esperei que eu e você ficássemos amigos. E isso realmente acabou comigo. Nós fomos inseparáveis por dois anos e eu estou ajudando você e daí essa mulher me apunhala pelas costas mentindo pra você e você ainda não acredita na verdade.”

Quem é Zoot?

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Tom Zutaut descobriu o Mötley Crüe enquanto trabalhava como Executivo de Vendas para a «gravadora» Elektra Records em Los Angeles em 1982. Promovido ao cargo de relações públicas, ele assinou com o Metallica, Dokken e o Tesla e até 1985, ele tinha feito tantos contratos bem-sucedidos que apenas sua presença num show de uma banda chamada Guns N’ Roses ajudou a criar uma guerra por um contrato. Até hoje, ele é o único executivo a fazer um disco com o GN’R.
“Tom foi uma figura tão importante nessa coisa toda,” diz Marc Canter, o amigo dos tempos de escola de Slash e homem de confiança do GN’R, que recentemente documentou os primórdios da banda em seu aclamado livro, Reckless Road (www.recklessroad.com).
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“Tom não exatamente produziu o disco, mas ele era o produtor executivo,” ele diz. “Ele tomava conta da coisa toda para assegurar que eles conseguissem o som que queriam – ele estava dirigindo tudo. Ele os colocou na MTV. Ele os manteve juntos. Ele deu um jeito que eles pudessem usar o linguajar que eles estavam usando, porque naquela época havia apenas algumas bandas de rap usando palavrões. Isso quebrou barreiras e Tom foi o responsável. Ele provavelmente deveria receber mais crédito do que ele tem.”


“E daí ele disse, ‘Eu não consigo acreditar que aquela vaca da porra mentiu pra mim’,” diz Tom. ‘Ele finalmente olhou pra mim e disse, ‘Okay, a gente já resolveu isso – agora vamos andar pra frente. ’”


Tendo fechado a primeira aresta, Zutaut então tinha que provar que ele poderia ajudar no estúdio. “Aqui estava o Axl que eu encontrei em 1985 de novo,” diz Tom. “Um cara que tinha uma visão e queria fazer o melhor disco já feito. E a gente conversou e disse, ‘Eu vou pro estúdio e digo o que quero pra eles e quando eu escuto, fico bolado’. Ele continua, ‘ Ninguém parece falar minha língua. ’”.

Os dois homens sentaram e conversaram por seis horas enquanto Axl o inteirava quanto ao estado de Chinese Democracy. Completamente informado, no dia seguinte Zôo entrou no estúdio sem Axl. A primeira tarefa designada pelo vocalista foi ajudar com o timbre da bateria para a faixa-título do disco. Axl disse pros caras do estúdio que ele queria que tivesse o mesmo som que a bateria de Dave Grohl em «na faixa do álbum Nevermind» ‘Smells Like Teen Spirit’. A equipe da produção dizia que tinha feito isso, mas Axl não ficava satisfeito. Zutaut pediu a Roy Thomas Baker e ao engenheiro que tocassem o que eles tinham, e se viu obrigado a concordar com Axl.
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“Eu vou dar um tempo, mas já volto,’ Tom disse a eles e fez a única coisa sensata. “Eu fui e comprei uma cópia do «disco do Nirvana» Nevermind na «cadeia de lojas de discos dos EUA» Tower Records local.”


De volta ao estúdio, eles compararam os dois timbres e ajustaram o trabalho, fazendo o som do baterista do GN’R ficar igual ao de Grohl. “Eu acho que talvez eles tivessem escutados os sucessos do Nirvana no rádio e apenas achavam que conheciam o som, mas nenhum deles tinha se ligado de ir comprar o disco e ouvi-lo.”



Eles mandaram a coisa toda finalizada pra Axl, que ligou pra Zutaut de cara: “Eu só tenho pedido isso, por tipo, seis porras de meses!”, ele disse. “Você não entende: eu tenho enlouquecido!” Eu te peço uma coisa, e você faz. Eu tenho pedido isso pra outras pessoas e eles não conseguem entender?!”Zutaut tinha passado no teste. “Eu queria ter ligado pra você dois anos atrás,” Axl disse a ele. ‘Você pode vir aqui e fazer isso?” Zutaut disse que conversaria com a «gravadora» Interscope/Geffen quanto a isso – ele estaria, afinal, trabalhando pra eles, e não pro Axl – e dois anos antes disso ele tinha deixado eles sob circunstâncias pouco amigáveis. Uma semana depois, as duas partes ainda estavam tentando chegar a um acordo sobre uma taxa quando Axl ligou pra Zutaut: “ele disse, ‘Eu to pouco me fudendo pra dinheiro, custe o quanto custar. Eu só sei que preciso de você aqui pra coisa andar pra frente, porque eu tenho cantado pneu por pelo menos seis meses. Eu vou dizer a eles que eles têm que te dar o dinheiro se eles quiserem o disco.” Ele fez o que prometeu. “O único compromisso que assumi,” diz Zutaut, “foi que eu ganharia certa quantia de dinheiro se eu conseguisse entregar o disco até certo prazo – que, claro, eu perdi.” “Mas naquela época eu senti que poderia conseguir terminar o disco sem problema. Era como o Apetite ou o Illusion de novo. Eu sei o que o Axl quer, e eu posso arrancar isso da equipe que está lá agora. Roy Thomas Baker e eu trabalhamos juntos na Elektra por dois anos então – sem problemas!”

“Então, ao abdicar de uma certa quantia por não conseguir entregar o disco até uma certa data, a Interscope economizou algum dinheiro e ainda usaram meus serviços e todo mundo ficou feliz.” Mas antes que ele pudesse começar a trabalhar, havia o pequeno detalhe de ter sua aura aprovada por Yoda…


Uma Breve Visita ao Sistema Dagobah

Em fevereiro de 2007, o informativo do Templo Budista de Kelowna na Columbia Britânica, no Canadá, foi uma das poucas publicações a notificarem a morte de uma das pessoas mais próximas a Axl Rose. Num artigo intitulado “Sharon Movia Vidas de Um Modo Lindo’, o informativo comentava: “As memórias do amor e dos corações que ela tocou ao longo de sua curta vida perduram. ’ Uma dama eloqüente, a finada Sharon Midori Tanemura Maynard – que antes residia em Kelowna – faleceu em Sedona, Arizona, em 18 de Janeiro de 2007.


Yoda tinha morrido

Co-fundadora (junto a seu marido, Elliot) da Corporação dos Arcos Cielos, um centro de pesquisa sem fins lucrativos em Sedona, Arizona, ‘criado para o desenvolvimento de novos paradigmas em ciência, educação, belas artes, ecologia global, desenvolvimento de potencial humano e tecnologia de ciências futuras’, Sharon Maynard, apelidada de ‘Yoda’ por cínicos da trupe do GN’R – entrou na vida de Axl no começo dos anos 90, “Axl era atraído a algumas pessoas que estavam envolvidas em fenômenos psíquicos,” lembra Zutaut, “Havia um tipo de médium/terapeuta que fazia terapia regressiva, transgressivas, de vidas passadas – seja lá o que fosse. E ela levou o Axl numa jornada ao longo de suas vidas passadas, se você acredita nesse tipo de coisa. E daí isso levou Axl a conhecer Shannon Maynard, a famosa mulher que olhava pra fotos de pessoas e dizia a Axl se ele devia ou não trabalhar com elas…”

Em 2000, a «revista pseudo-musical americana» Rolling Stone publicou um artigo sobre Axl, comentando que “Doug Goldenstein sabidamente pega fotos mediante instrução do vocalista para avaliação psíquica. Em Sedona, alguns acham, Yoda examinava essas fotos.”

Zutaut confirma que isso acontecia: “Você tinha que ser aprovado. Você tinha que arrumar uma foto em preto e branco e dar ela pra assistente de Axl e daí você seria avaliado e comunicado se poderia ou não trabalhar com ele. Ela lia auras e coisas do tipo. Tudo que eu sei é que ela viu a minha foto e me liberou pra trabalhar com ele.” Zutaut acha que a prática pode não ter sido tão doida ou sinistra como as pessoas acham: “Por mais difícil que seja pra alguns acreditarem, tudo tem algum tipo de energia. Digo, os seres humanos têm alguma centelha divina de algum tipo: energia negativa, energia positiva, bem, mal, Caim, Abel seja lá do que você queira chamar isso. Eu sei que eu posso me sentar numa sala com algumas pessoas e me sentir energizado. E eu posso sentar numa sala com outras pessoas e me sentir sugado de minhas energias. Eu acho que todos nós já tivemos uma experiência assim.

E então, Axl é um dos seres humanos mais sensíveis que eu já conheci. Ele é tão hipersensível às vezes que ele chega a ser frágil. Sendo assim, ele gosta muito de se isolar. Até mesmo quando assinamos o primeiro contrato juntos, ele tinha o quarto dele «no “Buraco do Inferno” que ele dividia com o resto do GN’R» e ele se recolhia a ele e ninguém o incomodava. Era trancado com cadeado e o resto da casa podia estar em destroços – sabe, embalagens de sanduíches «da rede americana» do Burger King, poeira, sujeira, o que você quiser – mas o quarto dele estava imaculado. Era o santuário dele.

Então ele é hipersensível e eu acho, que no âmago do ser ele acreditava que essa mulher em Sedona poderia ler a energia das pessoas através de uma fotografia e dizer se elas iriam ou não drená-lo ou energizá-lo. Parece meio doideira, mas talvez ela pudesse.”


E então, isso funcionou? As pessoas eram aprovadas e ele se cercava de pessoas boas? “Ironicamente, acabou não dando certo no fim das contas,” admite Zutaut. “Quando você gera os milhões de dólares que algo como o GN’R gera, você fica cercado por pessoas que se alimentam de você: psicopatas, vampiros mentais e todo o resto. Então por um lado eu acho que um grande número de pessoas negativas foi filtrado – não que haja alguém malevolente ruim ao lado dele – mas você tem pessoas cuja vivacidade é totalmente dependente dos momentos de genialidade ou insanidade dele «Axl».”

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Entremeio a esse período de Zutaut por lá, Axl decidiu que eles estavam cercados por energia negativa e que deveria visitar Sharon Maynard.

“Axl sentiu que seria uma boa idéia se fossemos a Sedona de modo que Sharon pudesse checar nossa saúde energética psíquica e nos lavar de quaisquer impurezas estivessem agarradas a nós,”, diz Tom. “Axl estava captando energia negativa e achava que ela pudesse estar grudando em nós. Isso foi realmente muito perceptivo de sua parte já que a equipe do estúdio tirava sarro dele pelas costas quando ele não estava lá.”


A outra nova mulher no mundo de Axl também compartilhava das mesmas crenças espirituais dele. Elizabeth “Beta” Lebeis juntou-se a ele em 1993 (agora ela é Empresária Pessoal dele). Perguntada se ela acreditava em vidas passadas por um jornal brasileiro em 2001, Beta comentou, “Sim, acredito e Axl também acredita nelas. Como brasileira, eu acredito nisso Eu acho impossível que duas pessoas que nunca se encontraram se dêem tão bem. Quando eu abri a porta e ele estava lá, eu senti que já o conhecia há anos.”
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Axl deixou claro o quanto eles eram próximos no Rock In Rio III em Janeiro de 2001. Enquanto as notas finais de Paradise City ressoavam, Axl entrou no palco com Beta. Ela tinha servido de intérprete para ele por toda aquela noite e ela começou a traduzir seu discurso de encerramento para a enorme platéia.



“Eu gostaria de dizer que sem o amor e o apoio de uma pessoa – acima de todas as outras – eu não estaria aqui hoje,” disse Axl e à medida que ele falava, Beta percebeu que ele estava falando dela. “Nos EUA, pelos últimos sete anos,” ele disse, interrompendo-se para abraçá-la, “eu tenho sido apoiado e cuidado e assistido por… a banda tem sido cuidada por… ela deu cada passo do caminho, ao longo dos ensaios, gravação, contratos e o baita pau no cu que eu sou.”


ImagemBeta traduzia, chorando, enquanto ele continuava: “Eu tenho sido cuidado, pelos últimos sete anos, por uma família brasileira. Essa é Elizabeth Lebeis – Beta- minha assistente, e seus três filhos maravilhosos, Alex, Vanessa e Fernando. Ela tem sido uma mãe pra mim, minha empresária, minha outra assistente… eu agradeço a ela e agradeço a todos vocês por ela.”




ImagemBeta Lebeis foi babá e empregada para a modelo Stephanie Seymour quando ela e Axl começaram a sair juntos no meio de 1991. Quando eles romperam, em 1993, Beta explicou em uma entrevista, “Ela mudou pra Nova Iorque e Axl me chamou para trabalhar com ele. E eu aceitei porque dentre Axl e ela, eu sempre tive certeza que preferia estar com ele. Ele me valoriza muito mais do que ela…


Stephanie é muito bonita e sexy, ela pode ter o homem que ela quiser. Ela usa os homens como brinquedos. Você já viu uma criança com um brinquedo novo? Ela brinca com ele e depois ela não quer mais brincar.”
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Quem são os GN’R?


Ex-membros:

Buckethead – o guitarrista com máscara de terror Buckethead «nascido Brian Carroll» entrou pro Guns N’ Roses pouco antes do retorno da banda no fim de 2000. Ele imediatamente fez sua presença ser notada, adicionando camadas de arpeggios psicodélicos em faixas como I.R.S. e Better e um verdadeiramente épico solo em T.W.A.T. As coisas não funcionaram muito bem entre as personalidades igualmente mercuriais de Buckethead e Axl, e o guitarrista deixou o grupo formalmente em 2004. Dada a tendência de Axl de limar o trabalho daqueles que deixaram a banda, não se sabe se Buckethead estará presente na versão finalizada de Chinese Democracy, mas ele é certamente uma peça chave no som da banda dentre as faixas vazadas.

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Bryan “Brain” Mantia – o baterista Mantia foi trazido à banda por Buckethead em 2000. O par tinha trabalhado junto anteriormente no supergrupo experimental de funk Praxis, assim como nos discos solo do guitarrista. O trabalho de Brain pode ser ouvido na maioria das faixas vazadas, incluindo Better e There Was a Time. Ele deixou a banda em 2006, para passar tempo com sua esposa e sua filha então recém-nascida. Com Frank Ferrer substituindo-o na formação de turnê da banda – e a mais recente colaboração de Brain com Buckethead – não é certo se ele ainda é um participante ativo da banda. “Brain?” diz Beta. “Nós amamos Brain – a razão pela qual ele não está aqui é porque ele teve um filho e não tem nada a ver com Buckethead. A gente fala com ele uma ou duas vezes por semana, ou a cada duas semanas.”










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Josh Freese – o baterista sob demanda trabalhou com o Guns N’ Roses de 1997 a 2000, e naquela época escreveu a faixa-título e tocou na versão lançada oficialmente e Oh My God de 1999. Demos antigas de I.R.S., There Was A Time e Catcher In The Rye supostamente contêm seu trabalho. Durante a tortuosa gestação de Chinese Democracy, ele também achou tempo pra se unir ao técnico de guitarras do GN’R Billy Howard e fundou o «grupo de rock eletrônico» A Perfect Circle.


ImagemPaul “Huge” Tobias – o amigo de infância de Axl co-escreveu Back Off Bitch para o Use Your Illusion I e foi subsequentemente contratado para substituir Gilby Clarke como guitarra-base no meio dos anos 90; suas contribuições para Sympathy For The Devil são tidas como determinantes para a decisão de Slash sair da banda. Ele saiu do GN’R em 2002, para ser substituído por Richard Fortus.


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Gary Sunshine – Depois de trabalhar como técnico de guitarra de Axl, a breve participação de Sunshine no Guns N’ Roses o teve gravando licks para a «até agora» única canção lançada oficialmente pela banda nova, a faixa com toques industriais de 1999, Oh My God.





Convidados Especiais…

Tanto Dave Navarro como Brian May contribuíram com Chinese Democracy…

“Não havia nada que Axl não fizesse por Stephanie Seymour,” diz Tom Zutaut. “Ele realmente sentia que eles eram almas gêmeas e ele ficou despedaçado quando Stephanie o deixou. Axl é um ser humano muito frágil de qualquer maneira e num de seus momentos mais vulneráveis, Beta do Brasil estava lá para ajudá-lo a superar isso. Ela cuidou dele como uma mãe e o assistiu e provavelmente fez mais por ele do que a mãe verdadeira dele fez sob muitos aspectos porque a mãe de verdade dele nunca protegeu ele de seu padrasto abusivo.”

A mãe verdadeira de Axl morreu em Maio de 1996. Quatro anos antes, Axl explicou a Rolling Stone como a terapia a base de regressão tinha ajudado ele a entender seus sentimentos em relação a ela. “Eu tenho trabalhado muito e descoberto que eu tenho tido muito ódio das mulheres,” ele disse. “Basicamente, eu tenho sido rejeitado pela minha mãe desde que eu era um bebê. Ela me preteriu ante meu padrasto desde que ele entrou em nossas vidas e assistia a ele me bater.”

“Quando eu entrei na vida dele e ele começou a perceber que alguém se importa com ele e o ama,” Beta disse a imprensa brasileira, “Eu sou uma pessoa paciente. Eu confio nele e ele não confiava nele mesmo. Eu não sou uma psicóloga, mas ele precisa de alguém pra ouvir o que ele tem a dizer e eu estou lá por ele.”

Oito anos de cuidados com Axl deram a Beta uma posição única na vida do cantor, de acordo com algumas pessoas (a própria Beta disse certa vez, “eu não saio se ele não puder estar em contato comigo 24 horas ao dia”).

“Beta – que começou como governanta dele – é agora a guardiã dos portões,” afirma Tom Zutaut, “Tudo tem que passar pela Beta. Você não pode conversar com ele sem ligar pra ela e ela diz a ele ligar de volta de um número bloqueado de telefone e é ela que organiza a folha de pagamento do Guns N’ Roses – tudo passa pela Beta. Até mesmo Doug Goldenstein, que é o empresário «da banda», não tem ais acesso a seu artista – ele tem que passar pela Beta. Ela é como a presidente da Axl Rose S/A.”

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Beta, a própria, diz que isso é ‘ridículo’. “Você acha que se você quisesse ligar pra Madonna você é atendido diretamente por ela?” ela diz, “Claro que eu atendo às ligações. Mas se Axl quiser falar com alguém, ele fala com eles. Merck «Mercuriadis, ex-empresário» ligava pra ele o tempo todo – ele fala com a banda o tempo todo. Você sabe, antes disso eu trabalhei prum gerente da «empresa do ramo alimentício» Quaker como assistente pessoal, eu atendia às chamadas dele também. Não há nada de macabro nisso.”

Então ela não é a Presidente da Axl S/A?

“Antes fosse!” ela ri. “Não – não, eu não sou.”

segunda-feira, 14 de março de 2011

Chinese Democracy 1995: Zakk Wylde quase entrou no Guns

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Em janeiro de 1995, a banda se reuniu para ensaios com um novo candidato para a vaga de guitarrista. Segundo Slash: "Agora que o Gilby não está mais na banda, Axl veio pra mim e perguntou: 'Que tal o Zakk? Você gosta do Zakk, certo?'"

A revista Classic Rock apresentou nesta série, ano por ano, um relatório dos bastidores do álbum mais controverso de todos os tempos.

Compilado por: Lauri Löytökoski
Material adicional: Scott Rowley



Zakk Wylde: "Axl me ligou quando nós estávamos gravando o álbum Ozzmosis (de Ozzy Osbourne). Eles estavam em meio aos ensaios - fui eu, Slash, Axl, Duff, Matt e Dizzy."

Mas Zakk lembrou: "Nunca havia nenhuma melodia. Nunca havia nenhuma letra de música."

"Eu dizia, 'cara, você já tem alguma letra pronta?'" Wylde disse mais tarde. "E ele respondia, 'cara, tem gente me procesando agora.' Ele ficava as vinte e quatro horas do dia no telefone com seus advogados. Ele meio que ficava nessa, 'eu não vou conseguir escrever nenhuma letra agora - elas seriam todas sobre os processos judiciais que estão rolando.'"

"Então nós ficamos ali tocando por mais de uma semana, nós improvisamos um monte de coisas e dali tiramos umas três ótimas idéias de músicas. Um dos riffs acabou indo parar no primeiro disco do Black Label Society ("Sonic Brew"), na música "The Rose Petalled Garden". O que eu queria tocar, eventualmente, teria sido algo como o Guns sob efeito de esteróides, cara."

Realmente soava mais pesado, mas ninguém tinha certeza de que soava do jeito certo: mais tarde Slash diria que teria soado "como Judas Priest ou algo do tipo".

A situação com o Guns N' Roses causou um problema entre Zakk e Ozzy Osbourne. Zakk tocou no álbum "Ozzmosis", mas não tinha certeza de que poderia sair em turnê com Ozzy (que já tinha um show de aquecimento agendado para o dia 9 de julho daquele ano e uma turnê iniciando em agosto). No final das contas, Zakk, que não conseguia ter uma resposta clara nem qualquer compromisso por parte do Guns, acabou desistindo da idéia.

"A partir do momento que entram em cena todos aqueles porras de advogados e toda aquela merda...", disse Wylde mais tarde. "Eu encontrei com Axl depois daquilo e perguntei 'mas que porra aconteceu?', e ele me disse: 'bem Zakk, eu fiquei sabendo que você queria dois milhões adiantados e o seu próprio ônibus para a turnê.'"

Slash vai, Izzy volta

O álbum "It's Five O'Clock Somewhere", lançado pelo Slash's Snakepit, foi lançado em 14 de fevereiro e o guitarrista iniciou uma turnê promocional no começo daquele mesmo mês.

Sobre um novo álbum do Guns N' Roses, ele disse aos jornalistas: "nós tocamos juntos um pouco, mas ainda não tem nenhuma música pronta... No momento parece que há uma confusão sobre o que seria 'um bom álbum do Guns'."

"Em abril de 1995", lembra Izzy, "Duff me ligou de novo: 'eu estou tentando escrever umas músicas novas para os caras do Guns. Dá um pulo aqui pra me dar uma força.' Eu disse pra mim mesmo: 'bem, porra, depois de tudo, por que não?' Duff e eu compusemos dez músicas em apenas uma semana. Nós até as gravamos como demos."


Izzy falou à Classic Rock sobre como ele deu uma chegada na casa de Axl naquela época. Axl foi amigável e daí "provavelmente um mês depois, em uma noite ele me ligou e nós acabamos chegando no assunto da minha saída do Guns N' Roses. Eu mostrei pra ele o meu lado da história. Eu disse a ele exatamente o que sentia sobre tudo e o motivo pelo qual eu saí... Mas, quer dizer, ele tinha uma porra de um caderninho de notas. Eu o ouvia pelo telefone (virando as páginas) dizendo, 'bem, ah, você disse em 1982, blá blá blá...' e eu fiquei de cara: 'mas que porra - 1982?' Ele estava levantando um monte de história velha. Eu dei de ombros. Mas essa foi a última vez que eu conversei com ele."

Em 28 de julho Duff e Matt tocaram em um show beneficente no clube Viper Room, em Los Angeles, com Steve Jones dos Sex Pistols e John Taylor do Duran Duran, como "Neurotic Outsiders". Em setembro, graças à demanda do público, eles começaram a tocar semanalmente no mesmo local. Pela forma que o à época recém-sóbrio Duff disse, ele tinha tempo de sobra e "eu cheguei à conclusão de que não queria mais esperar até quatro da manhã para poder ensaiar."

No outono (do hemisfério Norte) o Guns N' Roses começou a ensaiar no estúdio caseiro de Slash com Paul Huge. O que só serviu para piorar as coisas: "essa época foi tão desconfortável e estranha que Duff e eu acabamos nos envolvendo em uma discussão", escreveu Slash, "coisa que nunca tinha acontecido antes no estúdio".

Em 31 de agosto de 1995, Axl mandou uma carta para Slash e Duff anunciando que estava saindo da banda e levando o nome consigo, com base em um acordo firmado em 1992.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Chinese Democracy: 1994 O início da saga do álbum


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A revista Classic Rock apresentou nesta série, ano por ano, um relatório dos bastidores do álbum mais controverso de todos os tempos.

Eles tinham algumas músicas prontas. No ano anterior, Axl falou à revista Hit Parader sobre uma música que - 15 anos depois - seria lançada como a penúltima faixa de "Chinese Democracy": "nós realmente ainda não sentamos para compor", disse ele. "Eu compus e gravei uma nova música de amor que eu quero colocar no novo disco, chamada 'This I Love', que é a coisa mais pesada que já fiz."

O produtor/engenheiro de som Dave Dominguez indica que essa música é ainda mais antiga, comentando que "'This I Love' é de fato uma música bem antiga do Guns... Gravada para os álbuns 'Use Your Illusion'. Eu gosto muito dessa música... Demorou algumas semanas para achar todas as fitas porque eles terminaram de gravar os álbuns já em turnê e uma fita estava em Paris, a outra em Londres e outra em Sydney, eu creio."


Na verdade, talvez Dominguez esteja enganado sobre 'This Is Love' ser originalmente uma música gravada para os UYI (os álbuns foram lançados em 17 de setembro de 1991 e, comparando as datas da turnê com as sessões de estúdio, o Guns tocou em Londres em 31 de agosto de 1991 e em 20 de abril de 1992, em Paris em 6 de junho de 1992 e em Sydney em 30 de janeiro de 1993) - é mais provável que a música tenha sido originalmente gravada na mesma época em que o material lançado no álbum "The Spaghetti Incident?".


Em 19 de janeiro, Axl apareceu na cerimônia de indicação de Elton John ao "Rock'n'Roll Hall Of Fame". Ele também tocou "Come Together", dos Beatles, com Bruce Springsteen. Essas acabaram por ser suas últimas performances em público por vários anos.


Compilado por: Lauri Löytökoski
Material adicional: Scott Rowley
Traduzido e publicação no Brasil por Wiplash


domingo, 9 de janeiro de 2011

Slash e Guns N' Roses (fim)


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Já em 1989, Slash se dera conta de que aquela motivação incentivadora do Guns N’ Roses em se tornar “a banda mais perigosa do planeta” não existia mais. “A necessidade de sobreviver não era mais uma motivação”, afirmou. A monotonia da cena de Hollywood ‘forçou’ Slash a se refugiar mais intensamente na heroína, por exatos dois anos – até 1991. “Eu buscava algum lugar obscuro”, confidenciou.
Os efeitos, para ele, ‘nocivos’ da fama, seriam sentidos cada vez mais. “Não tinha aspirações materiais em absoluto. Nunca me importara com posses. De repente, porém, todos à minha volta começaram a se preocupar muito com isso”, assinalou Slash.

Àquela altura, os componentes do grupo estavam se distanciando, tanto pelo cansaço das excêntricas turnês quanto pelo acirramento das diferenças sobre os rumos. “As únicas mensagens que recebi deles chegaram oficialmente através da direção na pessoa de Doug Goldstein, que falava sempre com Axl”, detalhou Slash.

O guitarrista aponta que teria de compor e despertar o interesse de Axl para atraí-lo caso todos quisessem ser uma banda outra vez. Mas na ocasião, Slash e principalmente Izzy estavam muito envolvidos com DROGAS. Só que, com a intervenção de Axl e Slash, o guitarrista-base foi resgatado pelo próprio pai e desde então ficou ‘limpo’ – tem estado até hoje.


De acordo com o guitarrista, ainda assim os integrantes da banda deram um jeito de se reunirem para compor as músicas do álbum sucessor de G N’ R Lies, lançado em 29 de novembro de 1989 com gravações acústicas somadas às do EP "Live ! Like a Suicide". “Estávamos conseguindo compor alguma coisa, criando alguns riffs daqui e algumas partes de músicas dali. Quando estávamos trabalhando, nós nos concentrávamos, mas nunca conseguíamos completar nenhuma de nossas ideias sem todos os integrantes da banda juntos”, descreve Slash.

Conforme explicou o guitarrista, naquele momento todos voltaram a estar concentrados, mas lhes faltara habilidade no que se refere a trabalhar em equipe – até mesmo por não mais viverem e andarem sempre juntos, como nos primórdios do grupo, quando todos se interdependiam para a própria sobrevivência. “Havia a vontade, mas faltava disciplina”, resume Slash.

Os excessos com álcool por parte de SLASH e Duff incomodavam Izzy naquele instante. “Tenho certeza de que Axl tinha seus motivos para fazer as coisas a seu jeito também”, admite o guitarrista-solo. “Mas não existia diálogo sobre todas essas questões e, como consequencia, havia sérios mal-entendidos”, ponderouSLASH. “Em vez de elaborarmos um método novo para resolvermos nossas questões, todos os problemas foram virando uma grande bola de neve”, acrescentou. Isso sim, como o leitor virá até o final, ocasionaria o fim da banda como o mundo conheceu.

Slash explica que o grupo se tornara “disperso” e a dinâmica foi embora. “Não era culpa de ninguém, fizemos o melhor que pudemos”, isentou. “Éramos uma banda fora de controle com algum resquício de inteireza que perdera a habilidade de canalizar tudo de maneira adequada. Simplesmente não falávamos a mesma língua”, sintetizou o guitarrista. Por sinal, tal explicação é mais adequada do que alguns meramente dizerem que Axl deliberadamente ‘acabou’ com a banda. “Todos acabamos sendo omissos”, acusa SLASH, para quem faltava comunicação entre os integrantes.

O guitarrista descreve que o cenário de rock de Chicago – onde vivia àquele instante junto de Duff – era bem diferente do de Los Angeles. “Era 1990 e o lugar girava em torno do estilo de música metal industrial de bandas como Ministry e Nine Inch Nails”, abreviou. Como vários anos mais tarde ficaria evidente, Axl captaria tais influências para tentar produzir o ‘novo som’ do GN’R – depois da saída de todos os “originais”, só ocorreria em novembro de 2008 o lançamento do tão esperado "Chinese Democracy".

“O clima entre nós era sombrio demais e não conduzia à verdadeira criatividade”, analisou SLASH, sobre o período de composição que antecedeu os álbuns "Illusions". O guitarrista contou que Axl tivera ataques de quebradeira, que descontentaram a Izzy. Mesmo assim SLASH admite falha na época: “Quem sabe se tivéssemos ouvido o que ele queria fazer e sido um pouco mais cooperativos Axl não tivesse entrado em parafuso daquele jeito”, reflete.

Slash descreve Axl como portador de um “ar amargurado” aparentemente oriundo de um estado depressivo. Mas o guitarrista frisou que estava mais preocupado com Steven naquele momento. “Andava abusando demais da cocaína e seu desempenho pagava o pato”, elucidou o colega dos tempos de escola. “Compreendi que o caso de Steven se tornava cada vez mais irremediável”, delineou Slash.

O estado de tensão do grupo era grande. “O Guns era uma banda que poderia romper a qualquer segundo”, analisou SLASH. O próprio guitarrista destaca no livro que o nível criativo do GN’R caiu drasticamente. “Até Use Your Illusions I e II, o Guns escreveu músicas de uma maneira: a banda começava com uma ideia que qualquer um de nós podia ter tido e, então, todos colaboravam”, esmiuçou o guitarrista. Para SLASH, em 1990 o grupo já havia perdido essa inspiração coletiva para produzir. E pelos anos seguintes apenas se arrastou para chegar ao próprio fim.

“Axl e eu tínhamos uma interessante espécie de relação de amor e ódio, sempre tivemos”, especificouSLASH. O modus operandi do Guns N’ Roses ruiu e não mais retornou, com Axl mais e mais distante dos demais membros, que também não se confraternizavam da mesma forma que antes. “A tendência de Axl de se comunicar através da direção prosseguiu quando ele retornou de Chicago (para Los Angeles) até os meus últimos dias na banda”, expôs SLASH.


Até mesmo a relação com Izzy não ia bem para o guitarrista-solo. Slash o deixou furioso ao passar pelo apartamento do colega e deixar marcas de sangue quando injetou drogas antes de ir para o velório da própria avó, que morrera e o deixou emocionalmente abalado. “(Izzy) Tinha toda razão para estar possesso”, admitiu Slash. “Hoje, analisando esses acontecimentos, percebo como eu era insano e autodestrutivo, mas naqueles tempos não me dava conta disso”, emendou.

O guitarrista ilustra que não fossem alguns shows agendados para abrir para o Rolling Stones o Guns talvez tivesse sido morto pela ‘inércia’. Mas naquele instante Slash teve um pico do uso de DROGAS, obrigando a própria mãe a orientá-lo a ligar para David Bowie – um antigo conhecido dela – para receber conselhos do experiente músico. A situação se agravou quando Axl implicou com os colegas Steven e Slash pelo uso de heroína. “Há gente demais entre nós dançando com ‘Mr. Brownstone’”, disse o vocalista durante o primeiro show de abertura aos Stones.

Ainda assim Axl aceitou realizar os demais shows, que foram um lampejo de felicidade aos californianos de criação. “Os Stones nos assistiram as quatro noites, segundo eu soube, porque nós os fazíamos lembrar de si mesmos no começo da carreira”, enalteceu SLASH. Entretanto, o guitarrista e o baterista da banda se encontravam, segundo o próprio SLASH, ‘no fundo do poço’. “Axl teve toda a razão de impor suas condições. Aquele tipo de existência simplesmente não podia dar certo no nível em que estávamos. Quando se é prisioneiro da heroína, a vida não gira mais em torno da música. Eu me esquecera disso”, lastima.

Slash menciona que, devido à empolgação em cantar junto dos Stones, Adler até se sentiu motivado a querer a recuperação do vício em DROGAS. O próprio guitarrista foi aconselhado a se afastar da badalação da banda em Los Angeles e ficar num resort de golfe no Arizona para melhorar. No entanto, houve apenas o isolamento, porque Slash levaria coca e heroína suficientes para alguns dias.

O resultado não poderia ser outro; acabou causando um grande tumulto ao esmurrar um espelho na busca por atingir ‘animais’ que o perseguiam, em pura alucinação. SLASH acabara pisando nos cacos e, sangrando, correu nu pelo estabelecimento de recreação, ocasionando um verdadeiro alvoroço. O episódio quase custou uma prisão ao guitarrista, que regressou à Califórnia.

Assim que voltou, SLASH sofreu uma “intervenção” por um ‘comitê’ formado por várias pessoas envolvidas com o GN’R. No entanto, o guitarrista se disse irado com a presença de Adler no mesmo grupo, porque ele também estava extremamente viciado. “Era ridículo que Steven fizesse parte do comitê, porque ele precisava de reabilitação tanto quanto eu, senão mais. Encarei-o com um único pensamento: hipócrita”, disparou SLASH. O que se sucedeu foi uma internação mal-sucedida numa clínica em Tucson.

No decorrer do livro SLASH reitera que a fragmentação da amizade dos integrantes do Guns ocasionou o fim do grupo como todos conheciam. “Quando começamos a banda, nosso futuro dependia de nossa união forte e espontânea. Nossa atitude gerou uma leal camaradagem entre nós que é muito rara de se ver por aí. O sucesso acabou por fragmentar esse elo ao nos dar aquilo que queríamos e muito do que não precisávamos – tudo de uma só vez”, filosofou o guitarrista. “A sensação era de que havíamos nos esquecido de como fora divertido sermos nós”, completou. Frases como estas resumem muito da razão para o término do GN’R.

A história da banda traria ainda fatos como Slash substituir a heroína pela bebida alcoólica. Ele se unira intimamente ao baixista Duff para compor, mas continuava com preocupação a respeito de Adler. “Nosso caro Steven tornara-se um viciado compulsivo em DROGAS e achava-se num estado de completa negação. Ele nunca amadureceu para além daquelas fantasias do primeiro grau em torno do rock and roll, nem mesmo quando o risco de perdê-las estava bem diante de si”, analisa Slash.
O guitarrista garante que os membros da banda tentaram auxiliar o baterista a deixar os entorpecentes. “Fizemos o que pudemos para tentar colocá-lo de volta nos eixos, mas não se podia dizer nada a Steven”, explica. Izzy, Slash e Steven tiveram problemas sérios com cocaína e heroína, mas a diferença é que os dois primeiros conseguiram se recuperar. Seguidas internações do baterista não deram certo. “Steven escapou de clínicas de reabilitação 22 vezes”, enumerou Slash, para se ter noção do esforço feito.


ImagemÀ exceção do baterista, o Guns N’ Roses se uniu novamente, por um breve instante, suficiente para criar novas canções e trabalhar em composições existentes que iriam para os Illusions. “Naqueles momentos, a antiga energia voltava e tudo ficava excitante, elétrico”, lembra SLASH. O guitarrista enumera como quase todas as músicas do álbum duplo de 1991 foram trabalhadas, num verdadeiro deleite aos gunners.

Naquele instante houve um lampejo de união dos membros da banda. “Ficou claro que, tão logo reservamos um minuto e deixamos toda a besteira de lado, que nos reunimos sem hostilidade, recobramos a vibração, a química da banda”, descreveu SLASH, em um tom também de autocrítica. É na gravação dos "Illusions" que se reforçariam as diferenças depois irremediáveis entre os integrantes da banda. O guitarrista mostra descontentamento com a conduta de Axl em todo o processo.

Referências Bibliográficas:

Slash - Slash com Anthony Bozza
Wiplash.net

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Slash e Guns N' Roses (meio).


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Para Slash, Axl era fundamental no começo do Guns N’ Roses. “Axl sempre era capaz de pegar uma melodia simples de Izzy e transformá-la em algo fantástico”, destaca. Ao longo do livro o guitarrista se equilibra entre críticas e elogios ao vocalista, o que demonstra resquícios de uma amizade adormecida – com certeza o elo que seria necessário para uma sonhada volta da formação clássica do Guns N’ Roses.




Depois Slash assumiria ter adotado uma postura “arrogante” com o músico Paul Stanley (do Kiss), durante um curto tempo em que o consagrado músico de cara pintada esteve metido com os bastidores da banda. Isso demonstra uma autocrítica do guitarrista, importante ao se contar histórias tão controversas e discutidas quanto as vividas no GN’R.

“O estilo de vida ligado às drogas era uma realidade dominante para nós e desempenhava papel principal em tudo o que fazíamos àquela altura”, detalha Slash, sobre o momento compreendido entre o fechamento de contrato com a Geffen e a gravação do álbum "Appetite For Destruction", que deu o ‘start’ para a primeira turnê da banda.
O guitarrista atribui os efeitos dos entorpecentes como ‘inspiradores’ para alguns dos membros do grupo. “Quando acontecia de conseguirmos a droga, Izzy e eu compúnhamos um bocado porque, naquela época, a heroína era um grande catalisador para nós”, relata. “Tão logo ficávamos altos, Izzy e eu começávamos a tocar de improviso e a trabalharem nossas ideias, criando riffs para lá e para cá”, acrescenta Slash.

Dessa forma, depois que Stradlin deixou de utilizar drogas e houve a sua saída do Guns em 1991, a criatividade nas guitarras do GN’R nunca mais seria a mesma. Tanto é que nenhuma música inédita seria lançada pelo mesmo grupo após o lançamento dos discos "Use Your Illusion I" e "Use Your Illusion II". Nesse ponto, a falta de produção da banda quanto às guitarras nada tem a ver com Axl.

Depois viria a entrada do empresário Alan Niven, que tinha no currículo a intermediação do contrato dos Sex Pistols com a EMI. Em seguida, o GN’R lançaria o EP "Live Like a Suicide". Em tal época, Slash enfrentava o vício da heroína, extremamente mal visto por Axl. “Ela é o diabo. E tão atraente e sedutora que transforma uma pessoa num demônio desonesto e traiçoeiro. Ser um viciado é algo parecido com o que imaginamos que seja um vampiro”, descreve o guitarrista. O inconveniente das drogas e também do álcool, por parte de Slash, é sempre citado por Axl como um dos fatores de distanciamento dos dois.



Em determinado momento, Slash conta que ele, Duff e Izzy eram os “ratos de esgoto”, porque saíam para inúmeros clubes e bares ,ao contrário de Axl, que sempre foi mais “sofisticado” e não costumava “apagar” como os três durantes as baladas devido à mistura explosiva de álcool e drogas.

Também em várias partes do livro, Slash desmistifica algo aparente para muitas pessoas, que acreditam que após o tecladista Dizzy Reed ingressar na banda e Steven dar lugar à bateria de Matt Sorum, o Guns produziu músicas menos pesadas, registradas nos álbuns duplos "Use Your Illusion". Canções como “Dont Cry” e “November Rain”, entre outras, começaram a ser compostas e ensaiadas ainda na época do seminal "Appetite For Destruction". “You Could Be Mine”, “Dead Horse” e a cover para “Knockin’ On Heaven’s Door” são também do mesmo periodo, apenas para se ter ideia da complexidade da história e da sonoridade do GN’R.

Em seguida Slash explica a passagem trágica em que viu o melhor amigo morrer em seus braços devido a uma overdose. O guitarrista narra que mesmo sendo a pessoa que tentou salvar o camarada, acabou se tornando vilão na visão da família do jovem falecido.

O lançamento de "Appetite For Destruction", no dia 21 de julho de 1987, é um marco no livro. Slash descreve como a banda passou de uma incógnita adorada pelo underground de Los Angeles a um sucesso internacional. Da turnê com o The Cult à rápida relação com o Metallica, Slash conta que a “camaradagem” era grande quando o álbum começou a ser assimilado pela crítica e o público. Ele credita a falta do companheirismo ao término da formação clássica da banda.

Aí vieram os shows de abertura para o Aerosmith na Europa e finalmente o grupo se tornou o principal de uma turnê. Mesmo aparentando apego a Izzy, Slash não deixa de, em dado instante, criticar o colega de guitarra. “Izzy era o Grande Instigador. Era capaz de semear a discórdia sem se envolver”, dispara, citando desentendimentos com uma pessoa com a qual conviveram na época. Tudo isso no capítulo “Com o Pé na Estrada”.

Em outubro de 87 a banda encerrara a turnê de AFD e, na visão de SLASH, estava se solidificando cada vez mais. A razão era a sintonia com Izzy nas guitarras, a de Duff e Steven compondo a dupla do ritmo e Axl com sua grande energia. Na sequencia vieram as primeiras aparições na recém-criada MTV.

“Foi a nossa primeira exposição de verdade, penetrando lentamente na consciência coletiva”, classifica o guitarrista. A seguir a trajetória do Guns inclui shows de abertura nos Estados Unidos para o grupo Mötley Crue, que Slash considera como “a única banda de Los Angeles que surgiu do cenário do glam rock que era 100% autêntica”. Aliás, muita farra seria registrada na companhia de Nikki e Tommy.

E haveria ainda apresentações na companhia de ninguém menos que Alice Cooper. Entretanto, é nesta ocasião que Axl causaria um imenso constrangimento aos quatro colegas de banda. O vocalista optou por ir depois dos companheiros em um carro com a namorada, ignorando a opinião contrária do empresário e dos músicos da banda. Slash, Izzy, Duff e Steven esperaram até o último instante e tiveram de subir ao palco sem a presença de Axl. Além de terem de improvisar músicas cover enquanto o vocalista não aparecia, os componentes do GN’R chegaram ao ponto de perguntar se havia algum cantor disponível na plateia. “Acabamos insultando o público e atirando coisas nele. Foi ridículo”, avaliou o guitarrista, sem ‘meias palavras’. Depois que Axl não apareceu, os demais músicos do grupo deixaram o palco e voltaram para Hollywood. “Tão putos da vida que só falávamos em chutar Axl da banda ainda naquela noite e procurar outro vocalista”, conta Slash. Ele faz alusão, surpreendentemente, ao tanto de vezes que a possível expulsão do vocalista foi cogitada.

“O assunto de demitirmos Axl surgiu umas seis vezes, completamente a sério, durante o ciclo de vida da banda”, revelou Slash. Na sequencia ele relata que, no caso citado acima, o vocalista ainda agiu como se nada de errado tivesse provocado. “O espantoso em Axl é que ele não entendia, em situações como aquela, que havia feito algo errado, não se mancava”, criticou.

Slash ainda filosofa ao tentar descrever o controverso colega de banda. “Existem certos protocolos que Axl não segue. Uma vez que não habita o mesmo espaço mental que as outras pessoas, as normas aceitáveis não lhe ocorrem”, aponta o guitarrista. “Axl é super-inteligente e, ainda assim, vive num lugar onde a lógica que governa outras pessoas não se aplica. Não se dá conta do inconveniente que suas escolhas podem ser para os outros”, emenda Slash. Tal consideração pelo colega explicaria muito dali em diante...

O percurso do Guns N’ Roses traria a seguir shows de abertura para o Iron Maiden em 1988. O próprio Slash comentaria sobre o inusitado: “Não ficamos assim tão empolgados com a ideia, uma vez que não achávamos que formávamos a combinação perfeita”, admite. O guitarrista mostrou respeito aos ingleses, mas não os isentou de críticas. Ao dizer que o álbum "Seventh Son f a Seventh Son" fora um grande sucesso, Slash ridiculariza a apresentação de palco do Maiden. E ainda lembra de um ‘chilique’ de Axl que culminaria em uma “inquietante tensão” entre as bandas.

O guitarrista passa então a citar novos deslizes do vocalista, como ausências propositais em shows e reuniões da banda. Slash não perdoou o colega: “Falta de consideração de Axl”. Em seguida, após o cancelamento de parte da turnê em que estavam, os membros do GN’R partiriam para abrir apresentações do então renascido Aerosmith.

O poderio alcançado pelo Guns, mesmo com as intempéries de Axl, pode ser medido por algumas palavras de Slash. “Estava claro que, apesar dos sucessos do Aerosmith nas rádios, logo nós nos tornamos a atração principal. Aconteceu muito depressa, graças à exibição constante da MTV de “Sweet Child O’ Mine”, disse o guitarrista, sem falsa modéstia. Tanto é verdade que um jornalista da Rolling Stone havia sido designado para fazer uma reportagem de capa sobre o Aerosmith, mas depois de observar a reação do público e vendo o GN’R tocar ao vivo, optou por colocá-los no lugar do grupo de Tyler e Perry.



Foi nesta turnê de 1988 que o Guns assistiria a duas pessoas morrerem pisoteadas no festival Monsters Of Rock, em Castle Donnington (Inglaterra). “Axl parou o show algumas vezes num esforço para controlar a multidão, mas não havia como acalmá-la”, descreveu o guitarrista.

O ponto a que o GN’R chegara assustava Slash. “A verdade é que o que sempre quisemos fazer foi ficar acima das bandas idiotas de ‘hair metal’, que desfrutam sucesso não merecido por sua existência medíocre”, atacou. “Mas, antes que me desse conta, foi onde aterrissamos quase da noite para o dia”, ponderou. O sucesso alcançava países como Austrália, Nova Zelândia e até o Japão, onde Slash disse ter tido um “tremendo choque cultural”.

A fama beirava o auge, tanto que Slash contou ter realizado um sonho: comprou uma guitarra Les Paul de 1959 de Joe Perry, a mesma que o guitarrista do Aerosmith usava em um pôster que ele tinha na parede de seu quarto quando criança. Depois o músico ainda relataria que a Gibson faria uma guitarra em sua homenagem – a “Slash Signature” –, réplica de uma comprada por ele, modelo Standard, em 1988. “Levando em conta que fizeram o mesmo por Jimmy Page (do Led Zeppelin), sinto-me honrado”, considerou.

Referências Bibliográficas:

Slash - Slash com Anthony Bozza
Wiplash.net

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Slash e Guns N' Roses (inicio).



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Em 2008 foi lançada no Brasil, pela Ediouro, uma obra literária seminal que elucida várias questões envolvendo o Guns N’ Roses e principalmente a relação entre o vocalista e o guitarrista do grupo, que responde pelo nome de Saul Hudson. É o livro "Slash" (por Slash e Antony Bozza), que aborda do início de sua carreira musical até a última turnê mundial pelo Velvet Revolver. Nesta série de matérias alguns trechos do livro serão comentados.



O livro traz revelações do que foi chamado de “todas as lendas sobre sexo,DROGAS e rock and roll” a respeito de Slash, incluindo sua trajetória desde a infância até o fim de uma das maiores bandas de rock de todos os tempos. Na orelha do livro Slash frisa que não se trata de um desabafo, mas sim da história como ele conheceu e vivenciou. E um brinde aos gunners é a riqueza de detalhes acerca de sua vida, incluindo o envolvimento com as DROGAS e o álcool, além do porquê de sua saída do Guns N’ Roses – este sendo o ponto principal deste texto.


Antes de qualquer coisa é preciso ressaltar que o próprio músico nascido em Stoke-on-Trent (Inglaterra) e crescido em Los Angeles admite que seus relatos parecem “exagerados”, mas isso não significa que não aconteceram. Em dado momento da obra é afirmado por SLASH que Axl certamente possui outra visão/versão para os mesmos fatos vivenciados conjuntamente nos áureos tempos do GN’R.


A partir de agora serão esmiuçados os fatos que dizem respeito à relação de SLASH com seus ex-companheiros de Guns N’ Roses, cheia de especulações por muitos dos fãs da banda.
Steven Adler


Já no início do livro, Slash dá uma declaração que enaltece o baterista Steven Adler, expulso do grupo em 1990 em plena gravação do disco duplo "Use Your Illusion" por excesso de DROGAS. Slash afirma que deve tudo em sua carreira a Adler, que conheceu na escola aos 13 anos (1978). “É graças a ele que toco guitarra”, revela o músico, para quem o ex-baterista do GN’R “é o tipo de desajustado que apenas uma avó pode amar, mas com quem não pode conviver”. Ele conta que de início ouvia junto de Adler o grupo Van Halen, pelo qual ficou fascinado com os solos de guitarra de Eddie Van Halen, em “Eruption”.

Slash descreve as confusões colegiais tidas ao lado do colega que, segundo ele, dava muita importância principalmente aos grupos KISS, Boston e Queen. Já para o guitarrista, os anos 60 e 70 foram a época “mais criativa do rock and roll”. Slash confessa que o disco "Rocks", do Aerosmith, o influenciaria sobremaneira, através das primeiras notas de “Back In The Saddle”.

Do apelido dado pelo ator Seymour Cassel, SLASH admite não ter vocação para a liderança. “Basicamente, não tenho a personalidade para ser um líder de tipo algum”, entrega. Isso, obviamente, é suscitado porque anos depois muitas brigas de comando ocorreriam com o colega Axl Rose. Ele diz também que sempre procura ver o melhor das pessoas, não importando o defeito delas. No decorrer da obra, SLASH afirma que tentou prosseguir com o GN’R mesmo "enfrentando" o polêmico vocalista.

Em seguida diz que é “indigno de ouvir” o movimento punk de Los Angeles, ao contrário da cena vista em Londres e Nova Iorque. A partir dali descreve como conheceu Izzy Stradlin e Duff McKagan; este último com quem possui até hoje estreitos laços de amizade, ao ponto de ter formado o VELVET REVOLVER no começo dos anos 2000.
Izzy Stradlin
Na sequencia é mostrada a transição entre os grupos seminais L.A. Guns e Hollywood Rose, pelos quais os membros fundadores do GN’R passariam – SLASH, Duff e Steven pelo primeiro e Axl e Izzy pelo segundo. Neste trecho da obra o guitarrista conta como conheceu “o melhor cantor de Hollywood naqueles tempos” (Axl).


Duff McKagan
No capítulo 5 (“Azarões”), SLASH descreve uma peculiar característica do guitarrista-base Izzy Stradlin. Ao mencionar a mudança do segundo guitarrista do Hollywood Rose – a demissão de Chris Webber sem o consentimento de Izzy –, ele afirma entender a personalidade do futuro ex-colega de guitarras no GN’R. “Agora sei que sair em disparada é o mecanismo de defesa de Izzy quando acha que as coisas não estão muito bem: ele nunca faz estardalhaço em torno disso, apenas sai e não olha para trás”. Tais palavras deSLASH explicariam a atitude de Stradlin ao deixar o Guns em 1991 sem maiores explicações.

Por sinal, a debandada de Izzy intriga e entristece até hoje os fãs ardorosos da formação clássica do GN’R. Nesta visão, pode-se concluir que no período em que o Guns mudou seus padrões com a saída de Steven e a inclusão de teclados e metais na banda, o então guitarrista-base abandonou o barco por discordar dos rumos ora tomados por todos.
Slash recorda que se tornou “realmente bom amigo” de Axl durante o período em que o vocalista morou com a família Hudson. Para ele, os traços típicos de Rose são de uma pessoa “sensível, introspectiva e que passava por acentuadas mudanças de humor”. Por esta descrição, SLASH justificaria muitas atitudes futuras e consideradas por ele como erradas.

Para SLASH, o traço de personalidade "baderneiro" de Axl os unia, “desde que não prejudicasse o profissionalismo”. Entretanto, a característica reincidente do vocalista em causar atrasos nos shows e discórdias quanto ao futuro da banda após o lançamento do disco de covers "The Spaguetti Incident" (em 1993) o descontentaria profundamente.

Entre tiradas ao grupo Poison e citações à grande influência do Hanoi Rocks e do New York Dolls, SLASHlembra que Axl tivera envolvimento com uma ex-namorada sua de nome Yvonne possivelmente em 1984. “Durante um dos períodos em que resolvemos dar um tempo no relacionamento, Axl transou com ela. Fiquei contrariado à beça”, confidencia o guitarrista. Portanto, a futura ‘birra’ dos dois tem raízes mais profundas do que se imaginava.


Slash ainda conta como foi a entrada no Guns N’ Roses e que via na figura de Izzy um “amortecedor” em relação ao frontman da banda. “Axl e eu nos entendíamos bem de várias maneiras, mas tínhamos diferenças inatas de personalidade”, reforçou o guitarrista. Neste instante, ele reitera que o grupo era único em suas características e realizava um sonho profissional. “Não havia nem um pouco da típica atmosfera existente em Los Angeles, na qual a meta era obter um contrato para um disco. Não existia preocupação em relação às poses apropriadas ou refrões babacas de apelo comercial que poderiam levar ao sucesso nas paradas”, classificou.

O guitarrista explica que em seu início o Guns N’ Roses se assemelhava a uma gangue, pois se reunia para fins específicos e possuia comportamento delinquente e antissocial, ao ponto de não aceitar críticas de ninguém, nem dos próprios colegas. Muito da autodestruição da banda pode ser vista nesta menção à personalidade explosiva de cada um dos integrantes.

“Eu nunca havia estado numa banda em que músicas que achava tão inspiradoras fluíam tão naturalmente”, enalteceu SLASH, a respeito dos primeiros passos da banda, incluindo série de shows e composição. Algo relevante que se pode concluir pelas palavras do guitarrista – e que seria reforçado mais adiante no livro – é que a dissolução do GN’R está intimamente ligada ao rompimento do processo de criação/composição das músicas com o passar dos anos. Ou seja, cada vez mais os músicos se distanciaram com a expansão e descaracterização da banda iniciada em meados dos anos 80.


Após explicações sobre as negociações com empresários no início da carreira e de como odiavam as bandas chamadas de glam de Los Angeles, SLASH cita que Axl começava a adquirir a reputação de “genioso” e que podia “subir nas tamancas a qualquer momento”. A seguir traz informações a respeito de como notou “algo diferente” em Steven, pelo uso de heroína, além da passagem em que Axl conhece Dizzy Reed, então integrante da banda Wild e que depois se juntaria ao GN’R para implantar teclados e maior complexidade ao grupo.


Fora a acusação conjunta com Axl de estupro de uma garota, SLASH menciona o primeiro contrato com gravadora (Geffen Records), em 1986. A partir dali, com a entrada do empresário Tom Zutaut, o grupo começaria uma guinada, vindo a se autodestruir no decorrer do tempo. “Deixáramos de ser mais um bando de desordeiros sem nada a perder, passando a ser desordeiros com apoio corporativo”, considerou o guitarrista.
Além disso, SLASH recorda como os membros da banda conheceram o músico West Arkeen, que os apresentou “as sutilezas da pureza da cocaína”. Por ironia do destino, depois de colaborações com o GN’R no começo dos anos 90, Arkeen morreria de overdose da mesma droga. A criatividade latente dos músicos era tão grande no período inicial, que a letra do petardo “Mr. Brownstone”, que fala de um dia da vida deles na época, foi escrita em um saco de papel de mercearia.



Referências Bibliográficas:

Slash - Slash com Anthony Bozza
Wiplash.net